Posted in fevereiro 2012

Antes tarde do que muito tarde

Ontem fez 4 anos que deixei São Paulo pra trás. Que loucura. 4 anos de NY, 3 anos de Sampa, 7 anos longe de Brasília. Como a vida tem pressa. E como isso é assustador. E nesse final de 2011 resolvi passar um tempo um pouco maior na cidade que já me fez doente. Pois é… Ah, São Paulo, como você é punk. Rock mesmo, sabe? Metal na veia. A primeira vez que pisei os pés nas suas ruas tive vertigem ao avistar o tamanhão dos prédios na Paulista (roceira, eu sei). E hoje sou apaixonada por essa avenida insanamente bonita. Sampa: a cidade grande que sempre me assustou, que me fez sofrer, que me fez ir do céu ao inferno em segundos durante um dia de chuva no trânsito, que me fez conhecer milhões de pessoas maravilhosas e que hoje guardo no peito, que me fez chorar e sorrir, que me fez trabalhar como nunca, que me fez ter medo e ao mesmo tempo me fez valente, que me fez amadurecer, que me mostrou o sentido de pressa, que me fez perder a vontade de voltar pro lugar onde nasci e que abriu os braços pra mim outra vez. E eu fechei os olhos pra muitas coisas que ainda estão por lá e abri o coração pra tantas outras que não enxergava. Pois é… No último mês redescobri uma São Paulo que nem havia sequer descoberto. Andei pelo Centro sem medo, fui a bares que nunca havia ido, me deliciei com todas as comidas de boteco que estava sentindo falta, engordei com consciência, chamei os garçons pelo nome, conversei sobre assuntos sérios e ri muito com seus taxistas, tomei chuva nos morros da Vila Madalena, desci e subi a Augusta, agora povoada por seus adolescentes emos, e observei o primeiro boteco em que me sentei pra tomar uma breja gelada. “Meu”, que sensação boa. Fui ao Masp, a Pinacoteca, peguei busão pra Lapa, andei muito de metrô, passei pelo Largo da Batata (continua horrível), dormi no táxi na Faria Lima, dancei no Matrix, comi pastel na feira às 6 da manhã depois da balada, trabalhei no Itaim e na 9 de Julho, notei, atentamente, com minha camisa rasgada, os olhares de reprovação que os novos ricos da Oscar Freire lançavam pra mim enquanto eu sorria, não fui ao Ibirapuera, porque estava sempre de ressaca, e a tantos outros lugares. Faltou-me fôlego. E cai na real mesmo do tanto que estava com saudade daquela loucura toda e dos meus amigos que deixei na terra das tempestades (porque garoa não existe no verão, minha gente!). Saudade dos amigos antigos, dos amigos que fiz agora, dos amigos da Capital Federal que não via há anos e que agora moram lá, dos amigos que não consegui encontrar (sorry), dos companheiros de crises, de farras, de noites de violão, de trabalho, das minhas lindas e eternas amigas. Ah, minhas amigas… Saudade do amor de irmão, da vida louca, despretensiosa e leve de todos os brasileiros. Do sorriso fácil, mesmo estando fudido. Senti um pouco de raiva da falta de comprometimento de alguns e da folga de outros. Enfim, Brasil… Depois disso, passei por Brasília brevemente. O lugar onde cresci e que me ensinou a ser cidadã do mundo. O que Brasília tem de melhor? De verdade, nem é o céu, são as pessoas. Cada uma mais pirada que a outra e todas sedentas por cultura, lazer e por tempos mais profícuos pra cidade já tão calejada por seus políticos estrangeiros e incautos. Pois é… Cheguei em Nova York meio ressabiada, com uma deprê por causa do frio e da saudade inerente a todo imigrante que se dê ao direito de amar seu país, sua terra, sua gente sem discriminação. Mas sei que com o tempo essa tristeza pequena vai dar lugar ao sorriso bobo diante da grandeza do skyline da NY city que tem me acolhido tão bem, apesar de ser difícil também, por a couple of years. Que venha 2012 (atrasada demais!). Seja aqui, em Sampa, ou em Brasília.

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