Posted by

Camponesa

Esse amor de agora, obrigada, mas não quero. Essa esmola pequena que não chega a preencher nem 1 décimo do buraco ainda aberto no meu coração, muito obrigada, mas pode ficar pra você. E ontem, durante nosso monólogo febril, fiquei observando direitinho o modo como você gestícula suas ideias. Suas verdades, a falta de interesse em algo que não seja apenas sua realidade de escritor de pequenas histórias que enganam essa nossa humanidade burra. Sua privacidade e sua vida. As pessoas ao lado da sua mesa, agora, muito mais interessantes do que aquelas que você deixou lá naquele país em que nada dá certo. Naquela terra de gente feiosa e mal educada. “Prefiro que não falem comigo, mas que ao menos tenham educação.” Tudo tão diferente de quando te conheci. Quanta inocência o amor guarda. E sua psicologia barata de me ignorar o dia inteiro pra me fazer crescer, pra me dar lição de moral, pra não me mimar mais e me mostrar como o mundo é cruel e me ensinar a me virar sozinha, sem te colocar no papel de meu pai, nem surte tanto efeito assim. Porque aqui, solitária, eu choro que nem um bebê com os dentes nascendo, esperneio pelo chão da sala, dou chilique na frente das visitas, não como, não tomo banho, fico de pijama até as 5 da tarde, não malho, não escovo os dentes, não penteio o cabelo e fico abraçada ao meu urso tristonho na nossa cama mentolada até cair no sono. E, de hora pra outra, fico quieta, emburrada, calada, vingativa e com uma raiva maior do que o tsunami que destruiu metade da Tailândia em 2004. Pois é. Vocês, homens, pobres homens, mal sabem a intensidade do amor e do ódio de uma mulher. E não têm noção da nossa incapacidade de esquecer certas coisas. E a raiva aumenta toda segunda-feira, que é um dia muito útil. E diminui na sexta, quando, depois do seu happy happy happy super happy hour, a gente se encontra entre um gole e outro de cerveja e o efeito do álcool dopa todas nossas diferenças. E a raiva que sinto nem é de você, preciso deixar isso bem claro. Ela é toda minha, por mim, pela minha incapacidade de não conseguir me desvencilhar da armadilha que eu mesma me coloquei. Foi tudo tão bem pensado, tão bem elaborado, tão idiotamente sonhado que não consigo sequer sair do meu próprio momento idílico. E me sinto como uma camponesa num quadro bucólico qualquer que se vê pra sempre obrigada a colher o trigo perto da casa estúpida de campo por entre o cheiro de tinta fresca.

Etiquetado

Radiohead e Aristóteles

“Perdi 5 quilos.” Seus olhos de vitória me encararam silenciosos. E a ideia implícita nessa afirmativa tão prosaica era muito mais profunda do que qualquer ensaio filosófico de Aristóteles. Você, minha filha, não só não consegue perder peso, como parece acumular ainda mais gordura por entre esses seus neurônios infantis. Enquanto eu, triunfal, lindo, bem sucedido, gostoso, de roupa da moda, cheiroso, emagreço dia a dia. “Não te disse que quando começo uma coisa vou até o fim?” Você deveria começar a arrumar as malas e ir até o fim do mundo, penso bem devagarinho, já que o sobrepeso não me deixava raciocinar claramente. Minha menininha interna, 5 anos de idade, se encolhe dentro das entranhas que foram feitas pra não gerar filhos. Pois é, Machado de Assis, também não terei filhos. E não porque não quero deixar pra ele ou ela o legado da nossa miséria, muito pelo contrário, mas é que perdi o timing. Sacou? Tudo na vida é uma questão do que você faz em cada espaço de tempo que foi perfeitamente especificado pra isso. Você nasce, cresce, estuda, escolhe uma carreira, se apaixona, mora junto, casa, passa a lua de mel em Paris, compra um carro à prestação, decora um apartamento de 45 metros quadrados, trepa nos finais de semana, se reproduz, enche seu facebook com as fotos da criança e morre de saco cheio do mundo. Mas esse espaço de tempo entre o nascer e o …………………….. morrer pode ser construído como eu bem quiser, entendeu? Conversa pra boi dormir. Pois nem sabia que boi dormia. Alguém aqui já viu um boi dormindo? Pois é. Pra você ver como a vida pode ser complexa. Pra você ver como a sua perfeição me destrói completamente. Pra você ver como eu não consigo ser o “if I could be who you wanted all the time” da música do Radiohead que não me sai da cabeça desde o momento em que meu pai e minha mãe me conceberam. E segue nossa luta diária de egos. Um porque se ama demais. Outro porque se ama de menos.

Etiquetado ,

“She looks like the real thing”

Tô aqui ouvindo uma música triste pra ver se consigo inspiração pra escrever sobre o dia que me dei conta que você é real. Pois é. De fantasma que me perseguiu durante alguns meses da minha existência a um mísero minuto de convivência. Você existe. Uma pena, pensei. Uma pena, porque eu ainda carregava no peito a esperança de que você fosse só um inimigo imaginário criado por essa minha mania de perseguição e que inocentemente sabota a própria felicidade. Mas não. Você estava ali na minha frente. Sentada na sua cadeira feita pra massagear as costas enquanto escreve mais uma mensagem de amor pro seu amigo de baia. Pois é. Você é exatamente do jeito que eu imaginava. Você é tristemente real. É a transfiguração material da minha dor. E fui lá e fiz tudo ao contrário. Porque, você sabe, um milhão de vezes eu ensaiei sozinha esse encontro. Tudo. Tudo. Tudo. O que falaria, como falaria, qual mão usaria pra bater no seu rosto, se arrancaria lágrimas de desespero dos seus olhos ou não, se sorriria ao te ver caída no chão, se rasgaria sua roupa inteira e te deixaria completamente nua diante do meu sofrimento, se levantaria o dedo e começaria um sermão sobre como é feio tentar roubar o coração alheio, se rolaria com você na frente de todos seus amigos boquiabertos. Eu até ensaiei uns golpes de judô que nunca fiz. Escrevi e decorei as melhores frases de efeito pra cuspir na sua cara sonsa de quem não sabe o que faz. Sonhei dias e noites com esse encontro. Dias e noites. Dias e noites. E jurei a mim mesma que te faria pagar por todo sangue que me faltou nas veias. Mas nos poucos segundos que apertei  sua mão e encarei fundamente seus olhos castanhos, me reconheci em você. Espelho da minha imagem. Você era tudo o que eu já havia sido. Você é tudo o que sou. E tinha um coração. Você estava sofrendo. E me deu pena. De mim. E de você. Uma pena tão grande que quase me ajoelho aos seus pés e te peço perdão por ter pensado seriamente em te matar. ”She looks like the real thing” tocava no meu iphone. Virei as costas e debilmente fui embora com a sensação de dever cumprido.

Etiquetado

Cola

Vai ali na gaveta e pegue aquela cola que comprei semana passada. Isso. Agora junte seu coração. Ou melhor, o que sobrou dele, e cole cada veia arterial rompida pela dúvida que um dia passou pela minha cabeça. Sorry. I’m so sorry. Mas do jeito que tava não foi possível fazer planos. Planos. Que planos? Aqueles que a gente nem lembra mais. E que ficaram lá no começo das coisas, quando o sofá da sala ainda tinha certa graça. Melhor, quando você sorria. Faz um tempo, não é mesmo? Aquele seu sorriso de fotografia ficou guardado no HD do notebook que vendemos ano passado. E com os poucos reais que ganhamos, perdemos pra sempre suas risadas mais sinceras. Uma pena. Mas veja bem, meu amor, o coração tem como colar. Faz algo assim como que uma ponte de safena. Entende? Vai reconstruindo uma a uma as veias mais delicadas e finas. Aquelas que ligam os amantes no momento que se unem. Isso. Passa mais um pouco de cola vai, que é pra ver se dura por mais tempo. Mais alguns longos anos. Quem sabe? Pois bem, agora com cuidado feche as feridas maiores. As veias mais importantes, não é isso? Isso. Um pouco mais ainda de cola, mais um milhão de mensagens trocadas, outras tantas juras, não se esqueça das confissões por entre os lençóis do dia anterior, das noites frias e silenciosas quebradas por seus inumeráveis soluços, dos dias infindáveis e rastejantes, das cartas rasgadas, das minhas verdades que nunca existiram e de todas as conversas amarguradas que tivemos. Pronto. Tudo bem coladinho! Agora preste atenção: nunca olhe pro seu peito. Nunca. Sempre adiante. Vai lá. Lembre-se que tá tudo sempre muito bem, que você é forte, nova, bonita, bem-sucedida, inteligente, tem tudo pra ser feliz. Mas não é.

Etiquetado , ,

Antes tarde do que muito tarde

Ontem fez 4 anos que deixei São Paulo pra trás. Que loucura. 4 anos de NY, 3 anos de Sampa, 7 anos longe de Brasília. Como a vida tem pressa. E como isso é assustador. E nesse final de 2011 resolvi passar um tempo um pouco maior na cidade que já me fez doente. Pois é… Ah, São Paulo, como você é punk. Rock mesmo, sabe? Metal na veia. A primeira vez que pisei os pés nas suas ruas tive vertigem ao avistar o tamanhão dos prédios na Paulista (roceira, eu sei). E hoje sou apaixonada por essa avenida insanamente bonita. Sampa: a cidade grande que sempre me assustou, que me fez sofrer, que me fez ir do céu ao inferno em segundos durante um dia de chuva no trânsito, que me fez conhecer milhões de pessoas maravilhosas e que hoje guardo no peito, que me fez chorar e sorrir, que me fez trabalhar como nunca, que me fez ter medo e ao mesmo tempo me fez valente, que me fez amadurecer, que me mostrou o sentido de pressa, que me fez perder a vontade de voltar pro lugar onde nasci e que abriu os braços pra mim outra vez. E eu fechei os olhos pra muitas coisas que ainda estão por lá e abri o coração pra tantas outras que não enxergava. Pois é… No último mês redescobri uma São Paulo que nem havia sequer descoberto. Andei pelo Centro sem medo, fui a bares que nunca havia ido, me deliciei com todas as comidas de boteco que estava sentindo falta, engordei com consciência, chamei os garçons pelo nome, conversei sobre assuntos sérios e ri muito com seus taxistas, tomei chuva nos morros da Vila Madalena, desci e subi a Augusta, agora povoada por seus adolescentes emos, e observei o primeiro boteco em que me sentei pra tomar uma breja gelada. “Meu”, que sensação boa. Fui ao Masp, a Pinacoteca, peguei busão pra Lapa, andei muito de metrô, passei pelo Largo da Batata (continua horrível), dormi no táxi na Faria Lima, dancei no Matrix, comi pastel na feira às 6 da manhã depois da balada, trabalhei no Itaim e na 9 de Julho, notei, atentamente, com minha camisa rasgada, os olhares de reprovação que os novos ricos da Oscar Freire lançavam pra mim enquanto eu sorria, não fui ao Ibirapuera, porque estava sempre de ressaca, e a tantos outros lugares. Faltou-me fôlego. E cai na real mesmo do tanto que estava com saudade daquela loucura toda e dos meus amigos que deixei na terra das tempestades (porque garoa não existe no verão, minha gente!). Saudade dos amigos antigos, dos amigos que fiz agora, dos amigos da Capital Federal que não via há anos e que agora moram lá, dos amigos que não consegui encontrar (sorry), dos companheiros de crises, de farras, de noites de violão, de trabalho, das minhas lindas e eternas amigas. Ah, minhas amigas… Saudade do amor de irmão, da vida louca, despretensiosa e leve de todos os brasileiros. Do sorriso fácil, mesmo estando fudido. Senti um pouco de raiva da falta de comprometimento de alguns e da folga de outros. Enfim, Brasil… Depois disso, passei por Brasília brevemente. O lugar onde cresci e que me ensinou a ser cidadã do mundo. O que Brasília tem de melhor? De verdade, nem é o céu, são as pessoas. Cada uma mais pirada que a outra e todas sedentas por cultura, lazer e por tempos mais profícuos pra cidade já tão calejada por seus políticos estrangeiros e incautos. Pois é… Cheguei em Nova York meio ressabiada, com uma deprê por causa do frio e da saudade inerente a todo imigrante que se dê ao direito de amar seu país, sua terra, sua gente sem discriminação. Mas sei que com o tempo essa tristeza pequena vai dar lugar ao sorriso bobo diante da grandeza do skyline da NY city que tem me acolhido tão bem, apesar de ser difícil também, por a couple of years. Que venha 2012 (atrasada demais!). Seja aqui, em Sampa, ou em Brasília.

Etiquetado , , , , ,

Tabuleiro

Às vezes você precisa voltar duas “casas” pra poder avançar uma. E, outras tantas vezes, você precisa “passar sua vez” e deixar que outros respondam a pergunta difícil que saiu pra poder continuar no jogo. E tem horas, também, que mesmo soprando os dados antes de jogá-los, você vai pra prisão e precisa esperar outra oportunidade pra poder voltar pro tabuleiro. Pois é. E você fica aprisionado por um tempo relativamente pequeno, mas que pode parecer horas, dias, semanas, meses e até anos. E, quando vê, já se passou uma eternidade. Veja bem, eternidade pode ser uma fração de segundo. A relativização dessa noção de tempo ocidental. O tempo que escraviza o homem. Pois bem. Infelizmente era nesse tempo que vivia. E, como seu coração olhava mais pro tabuleiro dos outros do que pro seu, ficara ali completamente cerceada por suas próprias armadilhas. Observava a vida dos outros avançando cada casinha pequenina do jogo, enquanto a sua permanecia imóvel. Mesmo sendo imobilidade um conceito completamente subjetivo. Quem foi que disse o que deve ser pra vida de cada um? Ninguém. Ninguém precisava lhe dar conselhos. Ela mesma sabia que estava errada e que tudo aquilo era fantasia. E sentia-se frágil e pequena, como a peça de plástico colorida que anda pra lá e pra cá de acordo com a sorte que a vida lhe reservara. Sorte? Essa categorização de sentimentos simbólicos. E, mesmo sabendo da diferença entre amor e loucura, havia se entregado completamente. Ah, essa mania de coletivizar o eu quando se encontra o tu. Mas não existe o nós sem o eu. O nós só é possível com a felicidade e realização do eu e do tu. Sem isso, não há amor que resista. E demorou muito pra que ela entendesse tudo aquilo. Sorte mesmo foi ter descoberto ainda jovem, porque tem gente que não descobre nunca, tem gente que só descobre na hora da morte, ou quando se encontra miseravelmente respondendo as perguntas do outro pra avançar uma casa no jogo que não lhe pertence. Desses, o mundo está cheio. Mas ela, mesmo sabendo dos riscos que seu amor correria ao sair da prisão, nunca mais deixaria de responder as mais difíceis questões das cartas aleatórias.

Etiquetado , , ,

Cores

Quando se tem certeza de que algo nunca irá mudar. E você fica ali, confinado, conformado, preparado pra nada. Pro nada. Em transe. Sentado no sofá de tecido preto, confortavelmente encostado nas almofadas vermelhas já gastas e escolhidas pra combinar com o quadro da banda predileta. Preto, vermelho e branco, o quadro. Os instrumentos musicais intencionalmente jogados num canto da sala dando impressão de que ali havia música. Um desperdício esse jazz bass sem dedos pra tocá-lo. Sempre quiseram uma casa assim. Ela, mais do que ele. Três cores aparentemente inocentes e que se complementavam. Como a vida dos dois nesses muitos anos de convivência. Mas como a natureza é perfeita, como a vida dá e cobra ao mesmo tempo, como a paixão não perdoa os que a ignoram, como existe começo, meio e fim, como em todo ciclo universal, era hora de mudar. E, depois daquela viagem pra cidadezinha chique de gente sem importância alguma pro mundo, depois de dias enxergando a vida com os olhos dela, depois do jantar a meia luz, meias palavras, a casa das três cores nunca mais seria a mesma. Pudera. A vida, meus caros, sempre dá um jeito de colocar nos trilhos o destino que outrora estava perdido. Pode ser que demore: dois, três, cinco, sete anos… Uma eternidade que seja, mas ouça bem: a vida sempre te mostra, de uma forma ou de outra, o que está errado. Não adianta se esconder, fingir-se de surdo, mudo ou morto, não, de nada adianta. Porque aquilo pra quê você veio ao mundo vai estar sempre ali, do seu ladinho, te chamando na surdina da noite insone, com um dedo bem no meio da sua cara de paisagem. E você, de uma hora pra outra, vai estar no meio da rua com meia dúzia de roupas em uma mala preta correndo feito louco de algo que você nem sabe direito o que é. Pois é. Assim é a vida de todo ser humano que tenha algum discernimento do que é o mundo e do que é viver, ter consciência do existir. Porque, ainda bem, existem os ignorantes. Essa parcela da população mundial a que chamamos de pessoas felizes. E existem os que sabem que a qualquer hora irá sentir um soco na cara. Isso se chama realidade. E, às vezes, o amor sucumbe diante do que é real. Infelizmente. Ou felizmente. Porque o amor precisa também dessa dose gigantesca de “acorde agora ou foda-se pra sempre”. Que engraçado. Logo o amor, essa coisa que dói no peito, é sujeito do que vivemos. Amor, de homem e mulher, deveria ser incondicional. Na tristeza, na alegria, na saúde, na doença, do jeitinho que o padre desavisado falou. Querido padre, oras, o senhor nunca amou. Nunca teve essa sensação de queimação por todo corpo e de seu coração estar batendo em outrem. E não existe sentimento mais nobre e perigoso. Porque, apesar da grandeza da alegria que ele nos traz, o amor é traiçoeiro. Ele te dá a ideia errada de que não somos mais sós no mundo. De que não iremos mais morrer solitários. Quanta inocência e vaidade em um só sentimento. O homem e sua incapacidade de lidar com a finitude de tudo. Pois é… Amor acaba. Ou muda. Ou transmuta. Amor engrandece, mas enfraquece também. Amor cega. E te deixa assim, anos à fio vivendo a vida de alguém que você nem conhece direito. Alguém que você encontrou no meio da rua e que te prometeu felicidade eterna. Quanta doidice. De que forma existe o eterno? Que noção errada é essa de lidar com tempo e alegria? Infinitude de amor por um estranho. E era esse amor infinito por um estranho que agora a fazia sofrer tanto. Nem se lembrava mais da dor que havia sentido no quarto pequeno e frio naquelas exatas seis semanas de exílio forçado, mas sabia que dali pra frente nada mais seria o mesmo. E nunca foi. Aquilo que foi jurado, acabou-se. E não que não exista mais amor. Existe. Mas aquele amor de portas fechadas pra rua: nunca mais. Ele a fez enxergar, da maneira que lhe era possível, que a linha tênue e invisível que liga duas pessoas no momento em que dizem sim um pro outro havia sido quebrada. A confiança de olhos fechados não mais existia. E a sensação de estar sozinha no mundo tomou conta de seu coração. Mas não se engane. Solidão não é tristeza. A volta ao eu, a essência de ser, de existir e de poder-se ser no mundo, o que você quer buscar é o grande segredo de ser feliz. Não é ser solitário. É ter felicidade além do outro. Ser feliz sozinho… Poucos sabem. E, mesmo com todo sofrimento que ainda estava por vir, ela sabia que haveria de mudar, mais uma vez, as cores da sua casa.

Etiquetado , , , ,

Tempestade

“… a insanidade não tem explicação. Uma vez tudo na vida se arrebenta… e talvez seja muito pobre a vida sobre a qual não se arrasta ao menos uma vez a tempestade dessas explosões, que não tem as paredes de sustentação abaladas por essa espécie de terremoto, que não tem as telhas do teto arrancadas pelo furacão cujo uivo desloca por um instante tudo que até então a razão e o ser mantinham em ordem.”

Sándor Márai, do livro De Verdade.

Etiquetado , , ,

Covardia

Difícil acreditar que tudo está perdido. Porque, de verdade, quando você está vivo, a única coisa que você deseja da sua existência é, no mínimo, que ela seja boa. Boa é pouco. Que ela seja essencialmente boa. Mas até o significado de ser bom se perdeu ao longo dos tempos. E o que sobra? Quase nada. Não há respeito, não há humanidade, não há compreensão, não há educação, não há amor. Falta. Tudo. E mesmo que exista um monte de gente de alma limpa nesse vasto mundo bonito, nada disso me faz crer na bondade humana. Essencialmente, o ser humano é bicho. Alguns mais, outros nem tanto. Sempre existiu o trigo e sempre haverá de existir o joio. Isso eu até entendo. Mas quando se tem joio do seu próprio sangue, tudo se torna mais difícil. Porque daí você sente um misto de tristeza e dor. Uma dor trazida das mãos daquele que era pra ser um dos seus. Covarde. E,  passada a dor, juro, nem existe decepção, porque pessoas do seu tipo são feitas pra decepcionar. Existem os que já nascem grandes, não importa onde, como e nem a quantia de dinheiro no bolso. E existem os que nascem como você: medíocre, de alma mesquinha e pequena. Os primeiros vão longe, mesmo que nunca tenham tirado os pés do lugar de onde nasceram: amam, sonham, criam filhos, sorriem e morrem sem manchas no coração. Já os iguais a você apenas nascem e, infelizmente, demoram muito pra morrer.

Etiquetado

I run with you

Acabei de ler um dos livros mais lindos da minha vida. E não poderia fazer outra coisa a não ser pedir que você o leia também. Acho que tenho muito a ver com a escritora, apesar da história de vida completamente diferente. Mas queria tanto compartilhar essa dor bonita com você, meu amor. Agora que terminei o livro, me dei conta do tanto que às vezes parecemos distantes e, ao mesmo tempo, tão, mas tão unidos. Sei lá… Essa cidade aqui me fez ser outra. Ser sozinha demais às vezes é uma merda, porque te deixa com uma sensação de não precisar mais depender de ninguém. Incluindo você. E, apesar do amor que nos une, somos tão diferentes. Mas ao mesmo tempo tão iguais. Precisamos de redescobrir um ao outro. De verdade. Quero aquele homem que me fez ter a coragem de deixar minha mãe pra traz pra morar numa das cidades mais loucas do mundo. Mas sei que isso é quase impossível, porque você já não é o mesmo. Mudou também. Como deveria mudar, né? Porque não somos seres estáticos e sem vida. O sangue pulsa e de um dia pra outro a vida nos faz ser o que nunca achávamos que seríamos. E sei que você quer aquela menina do começo: com sorriso mais fácil nos lábios. Éramos tão jovens. E ainda somos. Ainda temos um caminho tão longo pela frente. E sabe por quê? Porque estamos vivos. Só por isso. Nada mais. Porque quero viver e não sobreviver com você. Quero sonhar, fazer loucuras, pensar alto, beber, sair, escutar música e dançar. Com você. Como é simples me deixar feliz. É muito simples. Será que você não entende? Quero meu companheiro de loucuras de volta. Quero viajar com você esse ano, aproveitar muito e depois… Depois é depois. Depois penso no depois. Vamos voltar um dia. Felizes. Felizes e com a certeza de que vivemos tudo o que tínhamos pra viver aqui. As pessoas morrem, amor. E não vai ser diferente comigo e nem com você. Somos dois. Somos um. Mas daqui a pouco, quem sabe, seremos três. Posso ter pirado um pouco mais. Como sempre… Mas é uma loucura tão boa que nem cabe na minha alma. Espero que você me entenda.

Etiquetado , , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.