Carol acordou preguiçosa, como de costume, mas decidiu que aquele dia seria um dia feliz. O sol batia em sua janela e por entre sua persiana dava para ver o azul do céu. Pulou da cama e logo lembrou de que naquela manhã havia de se encontrar com sua amiga Joana. Após o banho vestiu seu único vestido florido, não era muito afeita a esse tipo de estampa criada para meninas felizes, escovou os cabelos castanhos escuros cuidadosamente, passou um brilho na boca carnuda, calçou sua sandália predileta e logo estava andando pelas ruas da cidade grande com Joana. Carol falava sobre a vida, como de costume, a sua vida, o dia-a-dia naquela cidade estranha, falava sobre amor e no tanto que havia decidido que sorriria todos os dias, mesmo achando que não havia motivos para sorrir. Joana, como sempre, ouvia calada as resoluções repentinas de sua amiga. Era do tipo que só falava quando não tinha razão alguma para falar. Completavam-se. Complementavam-se. Carol continuou, resoluta de que nunca mais abriria mão da sua felicidade. Abriu um sorriso cheio de dentes, sentiu-se finalmente feliz, enquanto um passarinho, sem mais delongas, cagava em sua boca.