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O freela

Suava frio todas as vezes que alguém ligava daquele lugar maldito. Desde quando comecei a suar frio assim por algo tão banal? Aquele telefonema era para ser motivo de felicidade. Não de tristeza. Não de desespero. Mas na vida cada um sente o que realmente quer sentir. E ela queria sentir desespero. Nada além disso. Agonia. Era esse o termo. Tortura. Os dias, as noites, o anteontem, o amanhã, a boca doída de tanto ranger os dentes. Os dias sem rotina. A falta de paciência para o usual. A falta de desejo. Para a vida? Não. Ainda não. Pelo menos era o que achava. Tentava se agarrar a uma esperança longíqua. Seus sonhos infantis. Não havia mais o que fazer. Sentia-se completamente imprestável. Queria sair dali, mas nao podia. Tinha de provar algo. Tentaria mais uma vez. Não dessa vez, talvez outra. Tentaria. Pelos outros. Por ela. Por tudo. Não queria desistir.

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