Espera, menina, que a poesia vem de mansinho. Vem assim, como quem não quer nada, bem devagar. E quando você vê, já tomou conta de tudo outra vez. Mas nem sempre é assim. Nem sempre se tem palavras, mesmo olhando diariamente o dicionário antigo. Mesmo decorando os termos mais singelos, nem sempre se quer dizer tudo o que já foi dito. E cala-se. Cala o silêncio apertado. Inventa seu vocabulário e rescreve tudo outra vez.