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Malas

Estou cansada de pessoas. Verdade é que pessoas me entendiam. Principalmente as felizes. Aquele sorriso estampado na cara, sinceramente, me entedia. Por certo que pessoas podem ser felizes. E os são. Mas eu, não, não tenho obrigação de achar a mínima graça. Em nada. E não sinto. Hoje em dia, até minha poesia barata me entedia. Minhas frases são curtas, porque realmente não tenho nada a dizer. Por que teria? Não quero dar opiniões. Cansei de todas. E não quero ouvir conselhos. Eles são os que mais me entendiam. Certo é que essa minha velhice mental tem me feito assim… E o querer a minha vida de volta faz parte de todo esse processo de entediamento. Tenho o nada todo aqui na minha mão. E não o sei perceber. E tenho a chance de mudar tudo mais uma vez e de escolher outra realidade. Mas como tenho tido tanto tempo pra pensar no nada, não o faço. E continuo aqui, enganando-me e esperando a hora de fazer as malas.

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Inimigos

Tem dias que nem você consegue me tirar desse meu mundo de idéias. E o silêncio que me toma me faz pensar que nunca mais quero ser a mesma outra vez. Sigo calada, ignoro-te conscientemente e não te escondo isso. E nem adianta tentar me fazer falar ou sorrir, nem adianta querer me arrancar da minha solidão escolhida, porque hoje não faço questão alguma de fingir quem não sou. Mas só hoje. Talvez amanhã eu acorde falante, talvez eu até sorria para alguém na rua, talvez eu pare de me pegar pensando todas essas merdas que só eu sei pensar. Talvez. Mas é engraçado como às vezes torno-me vítima das minhas próprias alucinações. Minhas loucurinhas diárias que alimentam a alma já cansada de termos antigos. Preciso disso, será que você entende? Preciso de todos esses fantasmas para viver. Preciso dos meus inimigos secretos que me fazem forte. Preciso de algo menos cotidiano. Sem café da manhã. Não, não tenho calma para o tédio.

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